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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Projecto Entrescrita - Afonso Cruz

Bibliografia

Escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação – às vezes de publicidade, às vezes de autor –, toca e compõe para a banda de blues/roots “The Soaked Lamb”. Em Julho de 1971, na Figueira da Foz, era completamente recém-nascido e haveria, anos mais tarde, de frequentar lugares como a António Arroio, as Belas Artes de Lisboa, o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de meia centena de países. 
É autor dos seguintes livros: A Carne de Deus, Enciclopédia da Estória Universal (Prémio Camilo Castelo Branco), Os Livros que Devoraram o Meu Pai (Prémio Maria Rosa Colaço), A Boneca de Kokoschka, A Contradição Humana (Prémio Autores SPA/RTP, escolha White Ravens, Lista de Honra do IBBY – The International Board on Books for Young People e Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração), O Pintor Debaixo do Lava-Loiças. 
Ilustrou mais de trinta livros para crianças, em parceria com autores como Alice Vieira, José Jorge Letria, António Torrado, etc.


- Entrevista com Afonso Cruz - 


Escritor, músico e realizador. Com qual se identifica mais?
Neste momento, com a escrita, apesar de gostar muito de todas as actividades a que me dedico. O desenho, por exemplo, sempre fez parte de mim. Desenho desde que me lembro e a minha vida profissional nunca deixou de estar ligada à imagem, à ilustração e ao cinema de animação.

E como surgiu o gosto pela escrita?
Julgo que surgiu através da leitura. Nunca pensei em escrever, mas sempre li com voracidade. Creio que a escrita aparece então naturalmente, como um copo que enchemos demais: começa a deitar água para fora. Para mim, escrever é a leitura a transbordar.

Qual o escritor que mais admira?
Vários e de vários tipos. No que respeita à literatura não sou monogâmico e tenho relações com inúmeros autores ao mesmo tempo. Excluindo escritores mais antigos e apenas considerando os últimos dois séculos de literatura, gosto muito, por exemplo, de Thomas Mann, Dostoievski, Jorge Luis Borges, Pessoa e Kazantzakis.

Neste momento, qual o seu “livro de cabeceira”
?
Neste momento, os livros: Poesia Completa, de Manoel de Barros e Platónov, de Tchékhov.

Na sua opinião, de que forma as Bibliotecas influenciam a formação dos leitores?
De inúmeras maneiras. Há muita gente que se esquece que existem livros. É importante que se criem actividades à volta da leitura para empurrar as pessoas para dentro da literatura. A capa de um bom livro é uma porta que dá acesso a um mundo muito maior do que podemos suspeitar. E para chegar a esse ponto, precisamos muitas vezes que alguém nos tenha, primeiro, aberto a porta de uma biblioteca.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Projecto Entrescrita - José Fanha

Entrevista com José Fanha 


Biografia 

JOSÉ Manuel Kruss FANHA Vicente, nasceu em Lisboa, a 19 de Fevereiro de 1951. Licenciado em Arquitectura, é poeta, declamador, participou em milhares de sessões de animação cultural, acompanhando o grupo dos chamados badaleiros, em que participavam José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais, Manuel Freire, José Jorge Letria, Carlos Alberto Moniz, Fausto, entre outros. É autor de histórias e poesia para a infância, dramaturgo e dramaturgista, autor de letras para canções e textos para rádio, guionista de televisão e cinema. Tem dirigido Oficinas de Poesia e de Escrita, além de desenvolver trabalho intenso de divulgação da poesia e promoção do livro e da leitura em Bibliotecas e Escolas um pouco por todo o país. 


Porque escolheu dedicar-se à literatura mais centrada na infância e na juventude
Tudo começou com os meus filhos. Comecei a escrever para lhes contar histórias à noite. Depois descobri que havia em mim um menino que gostava de inventar histórias. Depois descobri que havia outros meninos que gostavam de as ouvir.

Na sua perspectiva, hoje em dia os mais novos estão mais sensibilizados para a importância da leitura? 
Começam a estar. A Rede de Leitura Pública, o PNL e a Rede de Bibliotecas Escolares têm feito um trabalho meritório, não esquecendo também o trabalho dos escritores com a sua itinerância, dos animadores e dos promotores de leitura.
Mas este trabalho de promoção do livro e da leitura é lento. Faz falta um empenhamento mais profundo das instâncias políticas centrais já que as autarquias em geral têm dado bons apoios à leitura.
Os resultados talvez se comecem a sentir daqui a uma geração porque este é um trabalho lento, num país tradicional literato sobretudo ao nível das elites e que, por isso mesmo, ainda não conta com todos os apoios necessários.

O que é para si um livro?
Tanta coisa! Uma viagem, uma festa, um delírio, um espelho, um questionamento permanente, um encontro comigo próprio e com o outro, uma forma de aprender a ouvir.

Qual o escritor que mais admira?
Gostava de dizer o nome de muitos.
Mas fiquemos nos estrangeiros por Cervantes, Gogol, Tolstoi, García Marquez, Steinbeck e ainda os poetas Pablo Neruda, García Lorca, Lawerence Ferlinghetti, Jacques Prévert.
Dos portugueses ou lusófonos, Eça, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires, Mário de Carvalho e ainda os poetas Camões, Alexandre O’Neil, Ruy Belo, José Craveirinha.
E ficam tantos de fora…
Só mais dois ou três. Paixões mais recentes. Jorge Semprún, Errí de Luca, Hernán Rivera Letelier, Afonso Cruz,…


Que escritores influenciam mais a sua escrita?
António Torrado, Mário de Carvalho, Italo Calvino, Papini.

Qual o seu “livro de cabeceira”?

Se tivesse só um… Ou dois… Ou três… Seria “Nascer para nascer” de Pablo Neruda, a lírica de Camões, o D. Quixote.

Na sua opinião, de que forma as Bibliotecas influenciam a formação dos mais novos?
Uma Biblioteca é uma escola de cidadania e uma porta aberta para a nossa relação com a palavra e, portanto, com o mundo.

E na sua formação enquanto escritor, influenciaram-no?
Pouco. Quando eu era jovem os livros nas Bibliotecas estavam fechados à chave e por trás de vidros e grades…

Tem projectos para um novo livro?
Muitos muitos, muitos projectos. Ainda só sonhados, já começados, quase acabados. Muitos.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Projecto Entrescrita - Sérgio Lucas



Teatro, música e agora a escrita. Como surgiu o seu primeiro livro de poesia “Camaleão”?
Comecei a mostrar alguns dos meus textos na net e a maioria dos comentários eram em apoio à edição dos mesmos, portanto juntando às opiniões que já vários amigos aos quais também os tinha mostrado, resolvi tentar…! … e aconteceu!

Revê-se, de alguma forma, no livro apresentado recentemente?
Claro que sim mas não na totalidade da obra. Claro que podemos sempre escrever textos sobre as nossas vivências, mas existem mundos paralelos à nossa vida, vidas que nos rodeiam e que nos inspiram a escrever.
É assim o meu processo de criação, simples, real e sempre inspirado na realidade e nas suas multifacetadas vidas.

O que trata a obra?
Baseia-se essencialmente nas variadas adaptações a que somos sujeitos no dia-a-dia. Somos todos camaleões ao longo da nossa vida a não ser que tenhamos um processo
de evolução tão perfeito que nunca nos tenhamos que adaptar a algo que nos é estranho ou necessário. Fala daquilo que todos somos e sentimos um pouco.

S. Pedro do Sul é uma fonte de inspiração na sua escrita poética?
É um óptimo elemento de inspiração mas não me foco em apenas em um tema, busco sempre múltiplas formas e espaços para me inspirar. Um poema sofre múltiplas transformações ao longo do seu processo.

 O que é para si a poesia?
 Uma forma de estar na vida, uma opinião e acima de tudo a verdade ou a ilusão.

E como define um livro?
Para mim e neste caso em particular, é um sonho realizado e mais uma forma de dar a conhecer aos meus conterrâneos e ao país o trabalho que desenvolvo e tenho desenvolvido.. No geral, é a mais nobre forma de expressão.

Qual o seu livro-de-cabeceira?
Sou um apreciador de poesia, acima de tudo mas neste momento estou a ler “O Cemitério de pianos”, aconselho!

E o escritor que mais admira?
Sou um enorme fã de William Blake, Frederich Nietzche e Jim morrison, mas dos portugueses admiro imenso Mário de Sá Carneiro, António Boto, Bocage e Fernando Pessoa.
  
Biografia
SÉRGIO LUCAS é natural de S. Pedro do Sul (distrito de Viseu). Iniciou-se nos palcos no grupo de teatro local e, mais tarde, no teatro escolar. Estreou-se no Teatro Politeama, com direcção de Filipe La Féria, no musical para a RTP “Camaleão Virtual Rock”. Vencedor da 2ª edição do concurso da SIC “Ídolos”, em 2004, editou dois trabalhos a solo – “Qual a Cor” e “Até ao Fim”, gravado e masterizado por Luís Jardim. Em “West Side Story”, de Filipe La Féria, interpreta, como solista, o papel de Snowboy, no Teatro Politeama. É também autor de vários trabalhos de poesia, dos temas dos seus projectos musicais e de textos de encenação de teatro amador. Foi semi-finalista do Festival da Canção da RTP 2009, com o tema “Procuro-me Em Ti”. Sob direcção de Pedro Ribeiro, gravou spots e separadores para a Rádio Comercial, em 2008 e 2009. Em “Jesus Cristo Superstar”, de Filipe La Féria, interpretou, como solista, o papel de Simão Zelotes, no Teatro Politeama e no Portimão Arena, entre 2007 e 2008. Participou em “Animais Nocturnos”, de Wanda Stuart, em 2007. Como entertainer participou na final do Festival da Canção Juvenil, da RTP, no Teatro Tivoli. Protagonizou o musical “Sexta-Feira 13”, de António Feio, em 2006. Participou na Festa de Natal da Rádio Renascença, sob direcção de Henrique Feist, no Teatro da Trindade, em 2006. Participou em diversos espectáculos de solidariedade, inclusive para a Cruz Vermelha, da RTP. Participou em espectáculos musicais para a SIC: “Sangue Latino” e “13 – O Número da Sorte”, de Henrique e Nuno Feist, em 2005. Com a sua banda, The Wish, ganhou diversos concursos a nível nacional e gravou um tema para uma compilação de bandas, “Aculturação”, organizado pelo Bloco de Esquerda, em 2003. Membro fundador da banda Sekmet, em 1992, com a qual gravou um álbum e fez digressão por diversos locais do país. Membro fundador da banda Lezyriah, em 1988, com a qual venceu concursos de bandas a nível escolar. Entrou para o Grupo de Expressão Dramática da Escola Secundária de S. Pedro do Sul, em 1988, sob direcção do Prof. Tito Agra Amorim, onde participou em espectáculos como “Ulisses”, “Argos” e “O Profeta”. Com esse grupo participou em encontros de teatro a nível nacional, como Encontros de Teatro na Escola e Encontro Nacional de Teatro Jovem do Porto. Participou na peça infantil “O Farruncha”, em 1987. Em 1985 entrou para o grupo coral da igreja da sua área de residência, onde permaneceu durante sete anos. Venceu o Festival da Canção Infantil de S. Pedro do Sul, da Rádio Lafões, em 1987. Dois trabalhos a solo: até ao fim e vícios e agora em estreia um livro intitulado camaleão.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Projecto Entrescrita - Marta Guerreiro



O que te levou a escrever o “1001 cores”?
 Existe sempre esta necessidade. A de expor. A de nos expormos enquanto cidadãos, e enquanto racionais que somos. Ainda para mais, quando julgamos já conhecer um diferente na primeira pessoa. Expormo-nos – da melhor ou da pior forma-.
Este livro surgiu de uma necessidade extrema de expor a minha ideia relativamente ao diferente que se atravessou no caminho que é o percurso de uma vida. O nascimento de uma irmã com paralisia cerebral – sem qualquer mobilidade física-. Esta realidade aos olhos de uma adolescente, peculiarmente revoltada: a difícil aceitação por parte das pessoas, em todo o que foge ao comum. É portanto um testemunho de amor, perante o novo.

Dado que a tua experiência de vida foi decisiva para a concretização do teu livro, consideras que este pode ser importante para outras pessoas que enfrentam o mesmo tipo de questões?
Considero que não apenas será importante para famílias numa situação semelhante mas muito mais para as que desconhecem este lado de uma vida.
Este livro fará mais sentido para os que não convivem de perto com uma situação tão delicada e que por isso mesmo, não conseguem ter noção da grandiosidade, da beleza e da aprendizagem que estes casos peliculares nos dão, aquilo que nos fazem enquanto pessoas. Preenchem-nos; realizam-nos. Quem desconhece esta parte de um espectáculo: os bastidores, desconhece também com que brilho é realizada a peça, neste caso, com que brilho é realizado este caminho de vida de mão dada com algo invulgar, mas que brilha.

Há algum autor que seja uma referência para ti?
Existem vários autores, tanto estrangeiros como portugueses, que me inspiram. No entanto é de bom agrado da minha parte, dar enfâse a esta língua de Fernando Pessoa. Que foi grande. Que foi Ricardo Reis e afirmou que para sermos grandes, temos que ser inteiros: ou nada. Que foi Álvaro de Campos e afirmou não ser nada, não poder ser nada, mas ter nele todos os sonhos do mundo. Que foi ainda Alberto Caieiro – mas sobretudo, Fernando Pessoa -. Ele é-me grande, tal escrita, tal insanidade bonita. Eterno, é-lhe um adjectivo atribuído por mim.
Num oposto, mais contemporâneo, temos o José Luís Peixoto como fonte de inspiração – pelos piercings característicos e os sorrisos que nunca se esgotam -. Consegue por em palavras a voz de um povo revolto, uma realidade. “Uma Casa na Escuridão” que até ela é cheia de luz no que diz. A escrita do Peixoto faz-me viajar. Ser mais, com ele, uma companhia de noite em forma de letras e sinais de pontuação. Uma escrita metalizada, como os piercings que também eles reluzem.

Pretendes voltar a escrever um livro? Sobre que tema?
Quando fazemos algo inteiro, onde pomos pureza e humildade, e ainda assim, temos reconhecimento. Quando fazemos algo sobretudo nosso, que não é conveniente ou porque sim, mas por ser nosso, isso faz com o nosso reflexo sorria. Com que até o espelho faça sentido.
Isso serve de incentivo, e dá-nos vontade de não perder nem mais um segundo, dá-nos vontade – dá-me vontade – de fazer mais, por ser meu, por estar a ser de tantos outros colos quentes. No entanto tenho tempo. Penso, imagino, crio. Agora existe o livro 1001 Cores e o dia de amanhã nada me garante, mas não quero ter pressa. Quero viver intensamente o que me está a ser dado agora, apenas com a certeza que a escrita fará sempre parte do meu quotidiano, do meu objectivo pessoal.

Que conselhos darias a jovens que estão a dar os primeiros passos na escrita?
Sejam mais;
Tenho dito nas apresentações por onde tenho estado, algo que considero de relevância extrema. Somos confrontados com miséria, não só económica mas como de espírito. As pessoas agem em defensa, agem contra a revolta e o problema não está aí: o problema está no protagonismo que é dado em que usa essa revolta em situações de violência, situações desumanas.
No entanto a revolta pode ser boa, pode ser uma arma para o nosso amanhã. Os grandes nomes da história foram revolucionários. Usaram todo a rajada de emoções interiores e fizeram músicas: que hoje são hinos à liberdade, pintaram quadros: que hoje são exemplos de futurismo, escreveram livros: que hoje são “Bíblias” de um desenrolar histórico difícil. Que são todas estas formas de arte: conquista.
Não deixem de escrever, não deixem de se expressarem, ponham em algo concretizado o lugar que ocupam, ou aquele que querem ocupar – da forma mais pura, honesta e bonita -.

Julgas que São Pedro Sul pode ser uma fonte de inspiração para a escrita? Como?
São Pedro do Sul - destacado pelas paisagens sem igual, o colorido e o natural – é assim que o recordo. Num vale, uma cidade escondida e protegida por quem nela habita, que tanto defende o verde que lhes pertence, e que deixam ser alvo de críticas bonitas pelos turistas, mas que lhes pertence: o verde dos habitantes.
Com uma pitada de antiguidade que parece não querer dar lugar ao alternativo: é também assim que a recordo, uma cidade conservadora.
O livro foi escrito, maioritariamente, no quarto número quatro, do alojamento da Escola Profissional de Carvalhais, que me trouxe pessoas boas que ficarão, decerto, no meu caminho enquanto pessoa a realizar-se. A janela do quarto quatro, dava lugar a dois lagos e a uma relva que reluzia todas as manhãs de primavera e de verão (quando escrevi o livro).
Obviamente, toda essa paisagem foi inspiradora, e toda essa paisagem tornou o meu livro mais romântico, por também ter sido nesse sítio, que surgiu o Impossível – uma personagem do livro que existe enquanto pessoa que me acompanha na realidade – histórias de amor e inspiração. Uma paisagem que permitiu um livro, e que permite paixões. Por ser tão protegida e tão natural. Uma paisagem que pertence a todos, agora também aos que percorrem as páginas do meu livro.

Qual o papel que a Biblioteca Municipal de São Pedro do Sul (ou as bibliotecas no geral) desempenhou na tua formação enquanto escritora? De que modo?
Sendo sincera, e agora com o desenvolvimento das tecnologias, creio que o uso da biblioteca seria mais para pesquisa, coisa que os computadores vieram tirar o lugar. Sempre que quero ler um livro, gosto de o comprar. De o sentir meu. De o cheirar e rever as páginas sempre que sentir saudades do que elas transmitiam, talvez por isso não seja meu hábito utilizar a biblioteca como sitio para requisitar literatura. No entanto, sei que é de relevância extrema: primeiramente é um ponto de encontro onde se preza o amor pela cultura, e onde existe cultura, existe importância e deve ter destaca. Seguidamente, visto que não existem possibilidades a todos, sejam elas económicas ou ainda de mobilidade, para a aquisição de um livro, a biblioteca aí desempenha um papel crucial na instrução dos habitantes que a circulam. Além de um ponto de encontro bonito é ainda um estabelecimento que temos ao nosso dispor, e que devemos frequentar com a maior regularidade possível, no caso de a leitura por exemplo, não ser acessível de outra forma.

Biografia

Nasci em Lisboa, no primeiro dia do ano de 1995. Já vivi no Alentejo, em Castro-Daire, Londres e São Pedro do Sul.
As poucas coisas que realizei durante o meu ainda pequeno percurso, incluem cursos de medicinas alternativas; um minicurso de teatro; finalista no concurso “A Europa Sou Eu” na categoria de poesia; três outdoors expostos realizados por um pequeno grupo onde estava inserida; voluntariado no Banco Alimentar e por fim, mediadora da APF.

Livros publicados
1001 cores - 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Projecto Entrescrita - Maria João Lopo de Carvalho

- Entrevista com Maria João Lopo de Carvalho -

Biografia

MARIA JOÃO Mendonça LOPO DE CARVALHO nasceu em Lisboa no dia 15 de Maio de 1962. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1985. Foi professora no Ensino Básico e Secundário, entre 1985 e 1989; e, novamente, de 1992 a 1995. Em 1989 fundou a “Know How”, dedicada ao ensino de inglês para crianças, entre outras actividades para escolas públicas e privadas, em regime extra-curricular. Foi também copy-righter na agência de publicidade “McCann Erickson”, de 1999 a 2001; assessora no Gabinete de Vereação da Educação e Acção Social do Município de Lisboa, de 2002 a 2005; e responsável pelos programas de solidariedade da Swatch, em 2044 e 2005. Em 2008 foi co-fundadora da “Know How Angola” e da “IPSS Know How – Aprende a Brincar”, dedicada à acção social.
Responsável pelo Guia da Criança, directório exaustivo de todas as actividades para crianças na cidade de Lisboa, em 1994 e 1995, publicou vários livros infantis – entre eles: O herói sou eu (2007), Que bicho te mordeu (2007), e A minha mãe é a melhor do Mundo (2005). Os seus romances Acidentes de percurso (2001) e Virada do avesso (2000), ambos best-sellers, inscreveram o seu nome na literatura pop, tendo publicado depois Adopta-me (2004), onde aborda a pobreza infantil nos subúrbios de Lisboa. Colaborou também com a imprensa, como cronista das revistas Pais & Filhos (1994), Xis (2000), GQ (2000-2001) e Vidas (2004) e nos jornais Expresso (2002) e Diário de Notícias (2004), Metro, Destak e Focus.


Porque escolheu dedicar-se à literatura infanto-juvenil? 
Por ser o meu “ambiente natural”. Por estar “próximo” do que os mais novos gostam de ler. Por sentir, por querer, por gostar!!! 

Na sua perspectiva, nos dias de hoje os mais novos estão mais sensibilizados para a importância da leitura? 
Sim de certa maneira pois há muitos mais títulos disponíveis e o PNL tem dado uma forte ajuda. 

O que é para si um livro? 
Uma porta aberta para a Imaginação! 
E a Imaginação é… um músculo poderoso que existe no cérebro e que precisa de ser trabalhado 

Qual o escritor que mais admira? 
Sophia de Mello Breyner e a beleza das palavras vistas pelo lado de dentro! 

Que escritores a influenciam mais na sua escrita? 
Matilde Rosa Araújo, sophia, todos os sul americanos, Jorge Amado… inúmeros, tudo depende do ciclo de escrita em que estiver! 

Neste momento, qual o seu “livro de cabeceira”? 
A Biografia de Sá Carneiro e os Sinais de Fogo de Jorge de Sena. 

Na sua opinião, de que forma as Bibliotecas influenciam a formação dos mais novos? 
Permitem um amplo acesso aos livros, à alegria e à festa à volta dos livros! 

E na sua formação enquanto escritora, influenciaram-na? 
Adoro estar cara a cara com os meus leitores! 

O seu próximo livro, a editar em Outubro, é um romance histórico sobre a Marquesa de Alorna. Quer revelar-nos um pouco sobre esta obra? 
Ainda está no segredo dos Deuses mas era mulher mais desconcertante do seu XVIII e XIX português, absolutamente invulgar 



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Projecto Entrescrita - Pedro Pinto


PEDRO PINTO nasceu em Lisboa no dia 20 de Março de 1971. É casado e tem 2 filhos. Jornalista desde 1997, é coordenador e apresentador do Jornal Nacional da TVI desde 2000. Licenciado em Relações Internacionais, possui também o Mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). É professor na Universidade Autónoma de Lisboa desde 1996, responsável pelas cadeiras de Integração Económica e de Newsroom. Para além disso, é coordenador da Pós-Graduação em Televisão e professor convidado em diferentes mestrados. 

Obra 
O Último Bandeirante, 2009 



Como surgiu “O Último Bandeirante”? 
Surgiu numa viagem ao Brasil, a meio caminho da Amazónia - uma região que durante anos fundiu em mim a palavra mistério e ambição, num sonho que ia finalmente cumprir. 
Numa visita ao Museu de Arte de São Paulo, deparei com um mural onde estava desenhado um trajecto que partia do Sul do Brasil, chegava aos Andes e descia o Madeira, para depois palmilhar todo o Amazonas. Uma viagem com mais de 400 anos e feita por um português, de quem nunca tinha ouvido falar. Descobrir e contar a história desse grande aventureiro desconhecido, um David Crockett português, foi como que embarcar numa outra grande viagem. 

O que é para si um livro?
A oportunidade de me despojar das âncoras da vida - e de alguma cobardia, confesso - para viver todas as vidas que nunca tive coragem de viver. Mas, para tanto, é preciso que as personagens tenham a estirpe de um Corto Maltese, por exemplo. 

Neste momento, qual o seu “livro de cabeceira”?
Quando escrevo um romance evito ler romances, pelo que opto, normalmente, pelas biografias. Estou a ler a história de Bernie Ecclestone, o homem que tornou a F1 um desporto milionário e verdadeiramente global, ainda antes da queda do muro de Berlim. Um homem de 80 anos, que continua a trabalhar como se tivesse 25, percorrendo o Mundo, dirigindo todo aquele Circo. 

Qual o escritor que mais admira?
Phillip Roth pela inteligência da escrita, a forma límpida, fria, quase cirúrgica mas, ao mesmo tempo, profundamente tocante, com que aborda os temas da existência, desde a sexualidade à morte. 
Ferreira de Castro pelo sentido de aventura, pela iniquidade, injustiça e desigualdade entre ricos e pobres - não necessariamente em termos ideológicos - que explicitou de forma pungente em toda a sua obra. 

Na sua opinião, de que forma as Bibliotecas influenciam a formação dos escritores?

As bibliotecas são a melhor oportunidade para descobrirmos novos autores e abrirmos a grande porta do conhecimento. Numa biblioteca, todas as desigualdades se esbatem e cada um pode moldar os seus gostos, as suas ambições, o seu eu interior sem restrições económicas ou de qualquer outra índole. É o espaço fechado mais aberto ao mundo que conheço. 


quinta-feira, 31 de março de 2011

Projecto Entrescrita - Carlos Almeida

CARLOS ALMEIDA nasceu em Lisboa em 1960. Com raízes culturais e familiares sedeadas em Santa Cruz da Trapa, no concelho de S. Pedro do Sul, vive desde 1987 em Viseu, onde divide a sua actividade profissional entre professor de História do 3º Ciclo e dirigente associativo/animador cultural na Associação GICAV (que ajudou a fundar), colaborando como orientador da Companhia de Teatro “Faz de Conta – Marionetas” e no Festival Internacional de Banda Desenhada. Foi em Santa Cruz da Trapa que se iniciou nas lides culturais e nas artes plásticas, fundando a Associação ARCA na década de 80. Por essa altura começou, também, a escrever os primeiros textos poéticos, nos intervalos da Licenciatura em História. A descontinuidade temática e o experimentalismo técnico caracterizam a sua produção artística e literária, saltitando no tempo e nos espaços, como uma encruzilhada de indecisões ao sabor dos instantes e dos sentimentos. Possui obras artísticas em várias colecções particulares, no país e no estrangeiro (França, Grécia, Áustria, Canadá). Paralelamente ao gosto pela escrita, apresentou exposições em Lisboa, Castelo Branco, Tramagal, Óbidos, Termas de S. Pedro do Sul, Nelas, Carregal do Sal, Santa Comba Dão, Penalva do Castelo, Viseu. No campo das letras já publicou pequenos trabalhos de Poesia, “Verso ante Verso” e “Alma Penada”, e uma colectânea de Contos “Actos de Necessidade”, editados pela Associação GICAV; colaborou no projecto “Poesia Contemporânea”, da Editora Minerva; colabora com a Revista “Animarte” e com a Revista “Terras do Barroso”, desde a sua fundação. 


1. Como define a poesia? 

A verdadeira música das palavras, o canto do coração. 

2. Como surgiu o gosto pela escrita poética? 

Desde muito cedo comecei a gostar da leitura e da escrita. Oferecer versos começou a ser prática ainda na escola, para as miúdas, para as colegas. Mais tarde o “jornal” do GUJAP, grupo juvenil de animação paroquial em Sta Cruz da Trapa passou a ser o espaço de divulgação de temas em prosa e em verso, e pouco a pouco foi-se aperfeiçoando o gosto e a forma. 

3. Até ao momento quantos livros de poesia já publicou? 
Destaca algum? 

Publiquei três obras em poesia (Verso ante Verso; Alma Penada; Versos concêntricos; participei na colectânea Antologia da poesia contemporânea portuguesa; encontro-me a colaborar em duas colectâneas de Viseu (Páginas Lentas; bichinho da escrita). Tenho pronto um novo projecto intitulado “A Osmose do ser”. Destaco este último trabalho, mais reflectido, resultado de viagens interiores em redor do mundo em que vivemos e ajudámos a construir, sobre o nosso futuro pessoal e colectivo, sobre a forma como nos relacionamos com a natureza. 

4. E qual o poeta que mais admira? 

É difícil escolher um, porque as razões são diversas. No entanto posso destacar Pablo Neruda, cujos versos me provocam e me inquietam. 

5. Qual o papel da poesia em momentos de alguma instabilidade como os que vivemos actualmente em Portugal? 

A Poesia, tal como outras formas de arte, deve ser algo subversiva, inquietar para a mudança, ajudar-nos a olhar em frente de forma inteligente e crítica. 

6. São Pedro do Sul é uma terra capaz de inspirar os poetas? 

Sim, sem dúvida. Basta olharmos para a paisagem, as pessoas, os problemas que persistem na sociedade, mas também os elementos belos e diferentes. Todos os lugares são lugares da poesia. 

7. Neste momento qual é o seu livro-de-cabeceira? 

OS Contos, de Vergílio Ferreira (ando a reler). 





quarta-feira, 16 de março de 2011

Projecto Entrescrita



Entrevista com Ekaterina Malginova


EKATERINA MALGINOVA nasceu em Tymen, na Rússia, em Abril de 1991. Foi criada e educada pela Avó, a qual sempre tentou motivá-la pela literatura. Ainda pequena lia e decorava poesia de Alexander Pushkin e Sergei Yesenin (dois escritores russos). Acabou a 3ª Classe na Rússia e, em 2000, juntamente com os seus pais, veio para Portugal onde pretende ficar pelo menos até terminar o curso superior. Conseguiu adaptar-se bem à língua e à cultura de um país novo. Com dezasseis anos começou a gostar realmente de escrever, especialmente poesia. Depois de terminar, no ano passado, o ensino secundário, na Escola Secundária de S. Pedro do Sul, entrou na Universidade de Coimbra, no curso de Estudos Europeus. Ekaterina quer seguir a carreira diplomática.



Até ao momento publicou um livro de poesia. Como surgiu “Espelhos de Alma”?
Por mero acaso vi o anúncio da editora “Porca Danada” no jornal “Gazeta da Beira” e decidi arriscar. Enviei todos os meus poemas para o endereço da editora e passados alguns meses responderam. Fui aceite e foi possível a publicação do meu livro.

O que é para si a poesia?
Um desabafo da alma; uma companhia, uma espécie de amigo. E, claro, uma bela forma de expressão de arte.

O que é para si um livro?
Uma fonte de conhecimento, seja qual for o seu assunto.

Qual o seu livro-de-cabeceira?
Tenho vários, ou melhor eles vão mudando. Neste momento são livros de História da Europa e Mundial.

E qual o escritor que mais admira?
Florbela Espanca e Fernando Pessoa se se trata de poesia. Turgeniev e Dostoievski se prosa.

Na sua opinião qual o papel da Biblioteca Municipal de S. Pedro do Sul na formação de um escritor?
Na minha opinião, é nas bibliotecas, neste caso na Biblioteca de S. Pedro do Sul, que nasce o primeiro gosto pela leitura. Na maioria das vezes é um simples passatempo que depois se torna em vontade de ler mais e mais.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Projecto Entrescrita - Luísa Ducla Soares


LUÍSA DUCLA SOARES (Maria Luísa Bliebernicht Ducla Soares Sottomayor Cardia) nasceu, em Lisboa, a 20 de Julho de 1939. É licenciada em Filologia Germânica. Iniciou a sua actividade profissional como tradutora, consultora literária e jornalista, tendo sido directora da revista de divulgação cultural Vida (1971-72). Foi Adjunta do Gabinete do Ministro da Educação (1976-78). Trabalhou desde 1979 na Biblioteca Nacional onde foi assessora principal e responsável pela Área de Informação Bibliográfica. Colaboradora de diversos jornais e revistas, estreou-se com um livro de poemas, Contrato, em 1970. Dedicada especialmente à literatura para crianças e jovens, publicou mais de uma centena de obras neste domínio. Escreveu 26 guiões televisivos que constituem a série sobre língua portuguesa Alhos e Bugalhos. Realizou o Site da Internet da Presidência da República para crianças e jovens (http://www.presidenciarepublica.pt/pt/main.html). 
Tem escrito poemas para canções, tendo sido editados vários CDs com letras exclusivamente de sua autoria musicadas por Suzana Ralha e Daniel Completo. Recusou, por motivos políticos, o Grande Prémio de Literatura Infantil que o SNI pretendeu atribuir-lhe pelo livro História da Papoila em 1973. Recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro do biénio 1984-85 por 6 Histórias de Encantar e foi galardoada com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra em 1996. As suas obras encontram-se traduzidas em diversas línguas, nomeadamente francês, catalão, basco , galego, holandês.


Porque escolheu dedicar-se à literatura infanto-juvenil?

Comecei na adolescência a inventar histórias para o meu irmão mais novo. Contava-as em episódios, ao longo de meses ou anos. Nunca as escrevi mas essa tarimba de contadora decerto me preparou para um futuro de escritora de literatura infantil.
Em 1972 publiquei A história da Papoila e recusei o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho que pretenderam atribuir-lhe, pois não estava disposta a aceitar um galardão de um regime alicerçado na Censura. Talvez isso me aproximasse mais do meu editor, José Saramago, que logo me encomendou seis livrinhos para o ano seguinte.
Comecei a interessar-me cada vez mais pelo mundo das crianças, até porque tinha então dois filhos ávidos de contos. 
Depois, nunca mais consegui parar e hoje tenho mais de cem livros para crianças e jovens.

O que é para si um livro?

Um livro é para mim um amigo insubstituível, sempre pronto a falar connosco. É uma floresta de experiências, uma escola que se leva debaixo do braço. Com ele abrimos os olhos e o coração para o mundo, aprendemos a pensar, a imaginar. Um livro pode ser tão divertido, tão poético, tão cheio de aventuras !
Como gosto tanto de livros, trabalhei mais de 30 anos na Biblioteca Nacional de Portugal, onde há nada menos de 3 milhões de livros. E quando me reformei, tive tantas saudades dos meus amigos de papel que ainda lá trabalho como voluntária.

Neste momento, qual o seu “livro de cabeceira”?

São vários, como sempre. Estou a ler as recolhas do património tradicional de José Leite de Vasconcelos, além de Eu sou um lápis, de Sam Swope, professor americano de escrita criativa , que nos relata a sua experiência muito interessante com alunos emigrantes.
Acabo de receber um belíssimo catálogo, que é praticamente uma fotobiografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, cujo espólio foi agora formalmente entregue à Biblioteca Nacional, onde está patente uma exposição sobre a autora. Sophia, uma obra de poeta foi elaborado por Paula Morão e Teresa Amado. Acho que irei perder-me nas suas páginas nos próximos dias. Conheci pessoalmente Sophia e vou ter todo o gosto em a recordar , através das suas fotos e, principalmente, manuscritos.

Qual o escritor que mais admira?

Entre os romancistas portugueses, Eça de Queirós. Entre os poetas, Fernando Pessoa, José Gomes Ferreira, António Gedeão .
Entre os escritores de literatura infanto-juvenil, Sophia, António Torrado, Alice Vieira, entre vários outros.

Na sua opinião, de que forma as Bibliotecas influenciam a formação dos mais novos?

As Biblioteca Municipais têm um papel decisivo na formação dos mais novos. Hoje são um espaço multimédia, incluindo com frequência ludotecas, um espaço reservado a jornais, a computadores, a vídeos e CDs.
Que pena tenho de não ter podido frequentar uma na minha infância ! Desde que as descobri e tive autonomia para me deslocar até às bibliotecas, a minha vida nunca mais foi a mesma. Deslumbrei-me com a possibilidade de ter acesso a tantas obras de referência, a tanta literatura, tornei-me uma das melhores alunas , não porque estudasse loucamente mas porque aumentou muito a minha cultura.
Assim, bem antes de os meus netos aprenderem a ler, já estavam inscritos na biblioteca municipal mais próxima, onde participavam na hora do conto, faziam desenhos, jogos, entravam em todas as actividades próprias da sua idade. Em breve se tornaram leitores autónomos, entusiastas da biblioteca, para onde me obrigam a levá-los,

Livros publicados






Fotografia disponibilizada pela escritora.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Projecto Entrescrita - Jaime Gralheiro



JAIME Gaspar GRALHEIRO, Advogado e Dramaturgo, nasceu no dia 7 de Julho de 1930, em Macieira, freguesia de Sul, no concelho de S. Pedro do Sul. É viúvo, tem 3 filhos, 5 netos e uma bisneta. Homem de convicções, gosta de fazer teatro, ler e viajar. Nasceu na serra do S. Macário. Foi pastor de ovelhas e de cabras. Quando chegou à escola já tinha 9 anos. Licenciou-se em Direito com a nota final de bom. Antes de descobrir a profissão, descobriu a poética das letras e o engenho das palavras. Deu em Advogado, em Dramaturgo e em Escritor: três actividades para as quais a palavra é muito importante. Do menino das ovelhas e das cabras ficou a sua solidariedade para com os mais desfavorecidos.

O que é para si um livro?
Um livro é uma obra de arte, através do qual o escritor chama para dentro de si e do seu mundo os seus leitores.

Neste momento, qual o seu “livro de cabeceira”?
Eu não tenho livros de cabeceira. Vou-os lendo conforme os vou adquirindo e vou tendo tempo para os ler. Neste momento estou a ler “Álvaro Cunhal – Retrato pessoal e íntimo”, de Adelino Cunha. A razão pela qual o estou a ler é estar na sequência das últimas aquisições.

Qual o escritor que mais admira?
Tenho feito a mim mesmo muitas vezes essa pergunta e não encontro nenhuma resposta, porque em cada época admiro um ou vários escritores. Dos do meu tempo admiro José Saramago.

Na sua opinião qual o papel das Bibliotecas na formação de um escritor?
As Bibliotecas são pequenas/grandes searas onde nos aguardam mil sementes de alegria, prazer espiritual e de conhecimento. De outra maneira diria: uma Biblioteca é uma espécie de forno onde se coze o saber e a cultura.


Quantos livros já publicou?
Já publiquei vários livros de Teatro, de Direito, de pura Memorialística e de Memórias Romanceadas (estórias na História).
No Teatro publiquei: Feia (in revista “Inicial”, do Colégio João de Deus, 1949); Epifânio Lacerda (1961); Belchior (1962); Ramos Partidos (1963: publicados, conjuntamente, sob o título genérico de TEATRO, em edição de Autor, sendo que Epifânio Lacerda mudou de título para Paredes Nuas, 1967); Farruncha (infantil, 1964, publicado in Cadernos Faoj, 1975); O Fosso (1966/67, nº 1 da colecção “Cena Actual” do Jornal do Fundão, 1972); Na Barca com Mestre Gil (1973, Ed. Caminho, 1978; 2ª edição, conjuntamente com Na Barca com Mestre Gil, Sindicato dos Professores da Região Centro, 1999); Arraia-Miúda (1975, Ed. Inova, 1976, 2ª edição, conjuntamente com Na Barca com Mestre Gil, Sindicato dos Professores da Região Centro, 1999); O Homem da Bicicleta (dramatização e adaptação do romance Até Amanhã, Camaradas, de Manuel Tiago, 1976, SPA, 1982); Vieram para Morrer (3º prémio da SEC de 1978, Moraes Editora, 1979); Onde Vaz, Luís? (1980, Vega Editora, 1983); O Grande Circo Ibérico (1986, 1º prémio do Concurso CITAP/Amadora de 1988, D. Quixote/SPA, 1998); A Longa Marcha para o Esquecimento (CETA, 1988); e E(h) Meu! (infanto-juvenil, 1995, em conjunto com O Grande Circo Ibérico, D. Quixote/SPA, 1998).
As obras de Direito que publiquei foram: Comentário à(s) Lei(s) dos Baldios (Almeida, 1990) e Comentário à Nova Lei dos Baldios (Almedina, 2002).
Nos livros de pura Memorialística publiquei S. Pedro da Minha Memória, no jornal “Gazeta da Beira”, nos anos 2004/2005, agora reformulado em livro sob o título Os dois PREC’s no Centro/Norte do País – Memórias de uma “guerra” quase pessoal, inédito em livro, à espera de editor.
Quanto às Memórias Romanceadas escrevi A Caminho do Nunca? Ou “Minha loucura outros que me a tomem” (2009, Edições Húmus).

Entrescrita

A Biblioteca Municipal de São Pedro do Sul inicia este mês um ciclo de entrevistas a escritores. Neste mês acedeu, generosamente, responder às nossas questões o dramaturgo Jaime Gralheiro, natural da nossa cidade.
A ele irão juntar-se outros autores da literatura nacional, que durante o próximo ano vão partilhar connosco as suas obras, as suas vivências e andanças no mundo da leitura.